Rendimento médio do idoso sergipano é o maior do Nordeste

9 de dezembro de 2019 - 17:39

Estudo realizado pelo Observatório de Sergipe aponta para uma melhoria da qualidade de vida do idoso que vive em Sergipe

 

O envelhecimento populacional é uma realidade no país, e em Sergipe isso não é diferente. Segundo a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa no Brasil (pessoas com 60 anos ou mais) estará quase triplicada até 2030, em relação à população de 2000, fato que tem chamado a atenção dos poderes públicos para garantir os direitos sociais do idoso. Exemplo disso foi a criação da Lei 8.842/94, que promove autonomia, integração e participação efetiva do idoso na sociedade.


Neste contexto, o Observatório de Sergipe, órgão Vinculado à Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) e com informações do DataSUS, buscou apontar um completo panorama da situação do idoso no Estado, apresentando dados demográficos, educacionais e de saúde, além de um panorama sobre a renda das pessoas com maior idade em Sergipe. 

Um dos principais dados levantados pela pesquisa informa que o rendimento nominal médio mensal dos idosos sergipanos atingiu R$ 1.511,57, em 2013, o maior da Região Nordeste. “Esse dado mostra que política de desenvolvimento aplicada pelo estado de Sergipe nos últimos anos, com melhoria dos indicadores econômicos e sociais, trouxe resultados significativos nas condições de vida dos idosos no nosso Estado”, destaca o Governador do Estado, Jackson Barreto.

Neste contexto, o estudo do Observatório, mostra também que a maior parte da população idosa de Sergipe não é economicamente ativa, não estando disponível ou apta a trabalhar. O que explica Sergipe possuir uma alta proporção de idosos não economicamente ativos é o grande número de aposentados e pensionistas com idade acima de 60 anos (70,59%). 

As principais ocupações dos idosos são os trabalhos por conta própria (37,93%) e a produção para o próprio consumo (33,90%). Dados de 2004 e 2013 apontam para um crescimento do idoso como a pessoa de referência na família. O que quer dizer que, na maioria dos domicílios, mais de 70% dos idosos são tidos como chefe de família. 

Esses números são frutos também do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, que tem se elevado a cada ano e mostrado a importância das ações desenvolvidas pelo Governo.  No resultado do PIB de 2013, por exemplo, divulgado no final do ano passado, Sergipe registrou o maior índice per capita do Nordeste e um crescimento quase quatro vezes maior que o PIB do país. Enquanto o Brasil obteve um crescimento real de 1% no PIB, Sergipe alcançou 3,6%.

O governador Jackson Barreto lembra ainda que esse resultado é fruto de políticas integradas entre os setores públicos e privados, que refletem diretamente na vida da população, e principalmente dos idosos. “Recentemente o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada registrou que Sergipe foi o estado que mais erradicou a extrema pobreza. O Ministério do Trabalho mostra que Sergipe tem batido recordes na geração de empregos. Os números do PIB demonstram que o trabalho de atração de novas empresas executado pelo governo do Estado, aliado às políticas públicas na área social tem alavancado nossa economia e melhorado de maneira significativa a qualidade de vida da nossa gente”, afirma o governador.

Condições sócio-educativas

Em 2004, a população do estado de Sergipe era de 1.928.108 habitantes, dos quais 8,1% era composta por idosos, ou seja, 156.901 pessoas tinham 60 anos ou mais. Em 2013, essa realidade mudou. Sergipe subiu para um patamar de 2.201.534 habitantes, destes, sendo 239.725 idosos, o que representa 10,9% da população total. Nesta amostragem as mulheres dominam, sendo 54,4% do total.

Analisando esse perfil, técnicos do Observatório de Sergipe constataram através dos dados da PNAD 2013, que os idosos estão mais concentrados na faixa etária que vai de 60 aos 69 anos com 56,4%. Desses, 56,7% é composto de mulheres. Já a faixa etária de 70 a 79 anos tem equilíbrio com relação ao sexo, onde os homens superam a quantidade de mulheres em 0,5%, sendo que dos 12,7% da população idosa, 50,3% é formada de homens.  A porção da população com maior idade, que vai de 80 anos ou mais, também tem predominância em mulheres, dos 12,7% dos idosos que estão nesse grupo etário, 55,9% são mulheres. 

Sobre esse dado o superintendente de Estudos e Pesquisas da Seplag, e diretor do Observatório de Sergipe, Marcel Resende observa que a realidade brasileira hoje é de queda na fecundidade e aumento da expectativa de vida, consequentemente, a população mais velha vem ganhando mais espaço no perfil populacional. “Em dez anos o crescimento de idosos foi de 52,8%, afirmando essa tendência”, completa.

Com relação à escolaridade, os índices de analfabetismo vêm caindo em Sergipe nos últimos dez anos, mas ainda são altos na camada da população com mais de 60 anos. De fato a taxa de analfabetismo era de 47,9% em 2004 e dentro de dez anos essa taxa caiu para 43,7% em 2013, uma redução de 4,2 pontos percentuais na proporção de idosos analfabetos. Nestes números, a diferença entre homens e mulheres é tímida e vem caindo ao longo dos últimos dez anos. Segundo dados da PNAD de 2013, 22% das pessoas idosas analfabetas são mulheres e 21,7% homens. 

Expectativa de vida

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O aumento da longevidade é reflexo da queda na proporção de mortes, especialmente quando se analisa a expectativa de sobrevida das pessoas com idades mais avançadas. Por meio dos dados contidos no Sistema de Informações sobre Mortalidade do DataSUS, nos anos de 2004 e 2013, é possível avaliar uma redução nos óbitos de cerca de 30% na população de 60 anos ou mais, com 5.373 óbitos registrados em 2004 e 6.974 óbitos em 2013. 

Neste sentido, o estudo observou que a principal causa de mortalidade dos idosos são as doenças do aparelho circulatório, com atenção principalmente nas causadas pelas doenças cerebrovasculares, doenças hipertensivas e as doenças isquêmicas do coração. Os dados apresentados mostram que, ao contrário do que comumente se pensa, infartos e acidentes vasculares cerebrais atingem indistintamente homens e mulheres, o que requer que as políticas de saúde atuem preventivamente em ambos os gêneros. O segundo maior índice de morte no idoso é causado pelas neoplasias (tumores) 14,08%. Na sequência vem as doenças do aparelho respiratório com índice de 11,70%

Buscando contribuir com a melhoria da longevidade de vida do idoso, o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Saúde, vem elaborando um Plano Estadual de Saúde do Idoso, juntamente com os municípios. “Essa discussão coletiva permitirá pactuações junto aos municípios para definição de responsabilidades e desenvolvimento das ações e serviços em seus territórios, esperando assim, contribuir para uma melhor assistência à Pessoa Idosa na Atenção Básica dos municípios” explica Áurea Torres, da Diretoria de Atenção Integral à Saúde, da Secretaria de Estado.

Entre os objetivos a serem alcançados com esse Plano estão a efetivação de um sistema de saúde eficiente, resolutivo e eficaz; a garantia e ampliação do acesso à assistência em saúde, notadamente a Atenção à Saúde da Pessoa Idosa; o avanço na organização dos protocolos; o apoio à política de fixação de profissionais médicos nos territórios municipais; a implementação do modelo de gestão que aprimore a relação interfederativa; a consolidação da Política de descentralização e fortalecimento da regionalização; e a promoção a equidade e fortalecimento da gestão participativa.

“É preciso entender que no modelo municipalizado, a execução dos programas está sob a responsabilidade municipal. Nesse cenário, o Estado tem como função prioritária a indução à adesão às Políticas Públicas Nacionais, através de estímulo e apoio ou assessoramento técnico”, esclarece Áurea Torres.
De acordo com a Diretoria, existem ações de fortalecimento visando qualidade de vida e redução de vulnerabilidade e riscos à saúde, através das Academias da Saúde, dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), Adesão à Rede de Crônicas, priorizando os agravos e doenças não transmissíveis mais prevalentes (a exemplo de diabetes e hipertensão), distribuição de medicamentos especializados através do Centro de Atenção à Saúde de Sergipe (CASE), política de assistência odontológica nos municípios e, através dos Centros de Especialidades Odontológicas, além do Programa Farmácia Popular do Brasil (promovendo atendimento igualitário).

Também integram essa atenção à saúde da pessoa idosa, o fortalecimento das ações de Educação na Saúde, a exemplo da capacitação realizada em 2014 para cuidadores de todos os municípios do Estado. Além disso, o planejamento inclui a consolidação da Vigilância e Atenção à Saúde, o que vai facilitar a visualização e o monitoramento dessa população, o estímulo às Práticas Integrativas e Complementares, e o Programa do Tabagismo. “Isso tudo nos leva à conclusão de que a assistência a saúde, que é um indicador de suma importância em uma pesquisa desse porte, vem tendo resultados positivos no nosso Estado”, finaliza Marcel Resende.


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